Uma foto do quarto onde foi feita a sessão de fotos da Alessandra Cestac ainda vazio. É incrível observar como a presença das pessoas muda tudo. E como cada corpo também “redecora” o lugar.
Na abertura da segunda exposição, Gabriela Golder promoveu aqui no House uma performance emocionante. Confira abaixo uma ediçãozinha de alguns trechos de atores/escritores lendo textos de própria autoria sobre sentimentos de amor e passagem.
Regina Parra já flertou com mais de uma linguagem artística. Começou nos palcos – ECA (USP) e no CPT de Antunes Filho – que foi quem abriu caminho para a ideia de um ator completo, capaz de discutir filosofia, dança, cinema e artes plásticas. Seu olhar para a pintura partiu daí. Da experiência no CPT, a paulistana voou para o Rio, onde passou um tempo estudando artes visuais na Escola do Parque Lage.
Paris foi a próxima parada, na École des Beaux Arts, e desde então a moça não parou. Artes Plásticas na FAAP e agora mestrado em Artes Visuais na Santa Marcelina fazem parte da sua constante formação.
Tudo isso serviu para compreender melhor os estilos, as técnicas, aprender mais sobre as artes contemporâneas e até mergulhar na abstração da teoria. Mesmo assim, a noção de arte integradora, lição do primeiro mestre, Antunes Filho, é um conceito que sempre norteou seu trabalho.
No seu mais recente trabalho, Regina levou para a tela as imagens nebulosas das câmeras de segurança em locais públicos. Refletindo sobre seu trabalho, a pintora conclui que ele carrega uma “atmosfera instável. Como se tudo ficasse permanentemente por acontecer”.
O convite para participar do Red Bull House of Art foi muito bem recebido. Afinal, “a possibilidade de entrar em contato com novos interlocutores e novos universos é precioso para um artista, que tem uma rotina de trabalho solitária”.
Para conferir um pouco mais do trabalho de Regina, clique aqui.
Video Mapping é uma técnica de vídeo que transforma qualquer obra arquitetônica em suporte de projeção. O artista “mapeia” a superfície, que ganha novos contornos com as projeções, os espaços se renovam. É como se o vídeo se relacionasse de modo orgânico com os elementos, dando vida a eles. De frestas, cantos a planos, cada canto é resignificado.
Achou complicado? Então olha aqui:
Já os AntiVJs, que se autodefinem como uma “visual label”, são os caras mais conhecidos no mundo por esse tipo de intervenção. E mais, eles usam várias técnicas combinadas, como live painting, light sculpture, outdoor projection, para mudar espaços e criar arte.
Ok, ok, muitas palavras em inglês… No fundo, o trabalho dos caras pode ser traduzido em uma só expressão: absurdamente impressionante. Como isto aqui:
Ah, e toda essa introdução só serviu pra contar uma coisa: amanhã eles estão aqui na House, contando um pouco do que é trabalhar com essas técnicas e impressionar tanta gente no mundo.
Serviço:
Quando: Amanhã, quarta-feira, 18 de novembro
Onde: Red Bull House of Art – Av. São João, 288
Horas: 19h
Apareçam!
Quando visitamos uma exposição, nunca imaginamos todo trabalho que acontece antes. Além da curadoria do evento – responsável pela escolha das obras – existe toda a parte de produção. Pinta a parede, fura o teto, comanda equipe técnica, atende mil vezes o telefone. O possível (e quase sempre o impossível) é feito para o evento acontecer.
Na produção do House of Art, o time encabeçado por Marcos Farinha se concentrou na produção da casa, desde meados de outubro. O primeiro passo foi colocar a casa em ordem, cuidando da limpeza do prédio, que há tempos estava desativado. Depois disso, o foco foi a parte de cenotécnica, cuidando da parte elétrica, hidráulica e de segurança do hotel. A partir do último dia 04, com a chegada dos artistas, as atenções se voltaram para a montagem da exposição, no qual, além da parte de cenografia, os produtores auxiliaram os artistas a colocarem suas obras em pé. Artistas como El Bocho, Zander Blom e Hiraku Suzuki criaram parte de seu material exposto na própria galeria, contando sempre com todo suporte de produtoras como Andréa Armentano, Cassia Rossini e assistência de Célia Kumati.
A produção e montagem da obra do artista norte-americano Grant Davies foi um caso curioso, refletindo a onipresença que a Internet proporciona. Como o artista não pôde aterrissar em terras brasileiras durante a semana passada, toda a comunicação e montagem de sua projeção foi realizada por meio de videochat. Davies disse que já trabalhou nesse formato online com algumas galerias e disse que ficou bastante satisfeito com o resultado aqui no House of Art.
Confira as fotos do making of da produção da exposição pelas lentes da curadora Maria Montero:
Para ver mais fotos da montagem da exposição, clique aqui.
A escolha da sede do Red Bull House of Art não podia ter sido mais apropriada. O Hotel Central no Vale do Anhangabaú, coração da cidade, continua charmoso, apesar de desativado e um tanto decadente. Mas é aquela coisa “decadence avec elegance”, sabe? Para receber o projeto, o hotel sofreu modificações mínimas. E a idéia era essa mesmo: manter ao máximo as características originais do lugar.
Ele foi construído em 1918, a partir de um projeto que saiu da prancheta do arquiteto Ramos de Azevedo, o mesmo do Teatro Municipal, da Pinacoteca do Estado e de outras pérolas arquitetônicas da cidade – públicas e residenciais – a partir do final do século XIX. Em outras palavras, não havia um “gran-fino” em São Paulo naquela época que não quisesse morar sob sua assinatura.
fachada do Hotel Central
Mas aí, o centro da cidade decaiu e levou o hotel junto. Anos e anos de descaso transformaram aquela região num lugar onde ninguém em sã consciência gostaria de se perder à noite.
A boa notícia é que agora, graças aos projetos da prefeitura, a região está sendo revitalizada. E os lugares incríveis que ficam por ali, também.