2 DEC
Zander Blom e instalações voláteis

Zander é um artista sul-africano. Para ele, essa relação entre local e global na arte é tema de constante discussão – e criação. Ele trabalha fundamentalmente com instalações, cujas matérias-primas podem ir dos clássicos papel e tinta a instrumentos musicais.
Sua casa serve de ateliê, laboratório e galeria. E o resultado do seu trabalho é único, pois o processo criativo do artista consiste em criar e recriar cada trabalho, registrando as etapas em fotografia.
Mas, ao contrário do que todos podem pensar, o final de seu trabalho não é uma instalação – por mais maluco que pareça. É a documentação de tudo, como em Travels of Bad, livro que traz uma série de fotos de diferentes instalações feitas no mesmo espaço. No livro, Zander essencialmente critica a maneira que as culturas exóticas foram apropriadas pelo sistema de artes visuais europeus (ditos de vanguarda) a partir do século XIX.
Na primeira exposição no House of Art, muito pelo tempo, Zander mudou sua estrutura normal de trabalho e criou uma instalação “real”. No espaço, papéis que continham os pensamentos que passaram por sua cabeça na chegada a São Paulo. Além disso, havia na sala um discman com um CD de sua autoria e, num sofá ao canto, liberou espaço para o público curtir o clima do “pingue-pongue do abismo’’.
Para a segunda exposição, a documentação de todas as instalações criadas durante a estadia no House e mais um passeio pelo “espaço original” do ateliê. Vale muito conferir.
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