25 NOV
TOP
Essa minitemporada em Inhotim deixou todo mundo meio abobado, zonzo com tanta informação, beleza, cuidado. Então imagine só a dificuldade que foi responder à pergunta: “qual foi sua obra preferida?”. Pois é, fizemos essa pergunta aos artistas, curadores e agregados e as respostas vieram em forma de listinhas. No entanto, “Murder of Crows”, a áudio-instalação de Janet Cardiff, estava no top 3 de todos, eu disse, TODOS os consultados.
Janet Cardiff é uma artista canadense que vive atualmente em Berlim. Ela usa tecnologia de ponta na produção de seus trabalhos, que, na sua maioria, se utiliza de recursos de áudio para acontecer. Produz muito, tanto em projetos solo, quanto em colaboração com seu parceiro, George Bures Miller.
A obra que chamou tanto a atenção do grupo consiste em 98 alto-falantes espalhados por uma sala enorme, estrategicamente posicionados na altura dos ouvidos. Durante meia hora, ficamos ali sentados, ouvindo a voz de Janet contando trechos de alguns sonhos, ou melhor, pesadelos. Entre um trecho e outro, uma música – ora suave, ora mais intensa – nos levava mais fundo nos cenários e sensações para onde aquelas pequenas histórias nos transportavam, enquanto, ao mesmo tempo, abria espaço para novas emoções. Como um filme 3D, só que sem filme nem 3D.
É bem difícil descrever uma obra tão evolvente, em que a participação do espectador (ou ouvinte) é absolutamente primordial para que se encerre, feche seu ciclo de existência. Mas, depois de vivenciar, é fácil saber por que figura nas listas de favoritos.
Aqui segue um trechinho, só para dar mais vontade.











